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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

OS PÁSSAROS DA MORTE – Mo Hayder

Sinopse

No seu primeiro caso como investigador principal na Brigada Anti-Crime de Londres, o jovem detective Jack Caffery depara-se com um caso de um serial killer em ascenção. A descoberta do corpo de uma jovem mulher numa lixeira próxima do Millennium Dome de Greenwich abre as portas a estes sórdidos crimes. Um a um, são descobertos mais quatro corpos a apenas a alguns passos do primeiro. Cinco cadáveres, todos jovens mulheres brutalmente assassinadas de forma ritualistíca e estranhamente precisa. Para além da autópsia ter revelado que todas as jovens eram prostitutas, e a todas elas tinham sido injectado uma dose letal de heroína, directamente na base do crânio, e após falecimento tinham sido violadas. Como se não bastasse, descobriu-se mais um aspecto, o mais macabro de todos, que indica um único criminoso: na caixa toráxica encontrava-se, no lugar do coração, um pássaro vivo. Usando todas as armas de que a ciência forense dispõe, Caffery e a sua brigada anti-crime travam uma luta contra o tempo, antes que o “Violador do Millennium” ataque de novo...
Opinião
Cada vez que leio um novo policial fico ainda mais surpreendida. De facto, não é qualquer um que escreve um policial, um bom policial. Mo Hayder, não é qualquer um, é uma maestria.
Foram vários os momentos, em que este livro foi referido pelos meus amigos do facebook, o que me despertou uma imensa curiosidade. Quando a Editorial Presença iniciou o passatempo das Marés Vivas, uma das muitas fantásticas iniciativas realizadas, não pensei duas vezes. Venha ele para a minha estante!!
Depois das opiniões e dos comentários que li, tinha uma expectativa tremenda neste livro, mesmo que nunca tivesse lido nenhum livro da autora até á data.
E não é que superou as expectativas!! Pois é…
Qualidades não faltam a esta obra. A que mais se destaca, é ser uma história viciante, não há maneira de largar o livro. Mesmo chegando á página número 200, a vontade de continuar a leitura, é exactamente igual á inicial.
São vários os ingredientes que encontro, para que esta característica tenha esta particularidade, temos a apresentação de uma história inteligente do ponto de vista policial, suspense, mistério, acção e revelações surpreendentes. O que queremos mais de um bom policial?? Nada…
Posso dizer, que é mesmo daqueles policiais, em que se tem de puxar pelos neurónios e mesmo assim é tão bem escrito, que cheguei a meio e nem fazia ideia das surpresas que ainda ia ter. Fantástico!!
O factor menos positivo que encontrei, foi na recta final. Acho que esta autora, utiliza demasiados pormenores de âmbito sexual, demasiado descritos. Pode ser por não estar muito habituada, mas de qualquer das maneias, arrepiou-me. Pensando bem, sendo eu mulher, talvez me impressione mais…
Para quem procura um excelente policial, recomendo. Obrigatório mesmo.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

MARGOT - ESTRELINHA AZUL - Ana Paula Pinto

Sinopse

Olhavam o pôr-do-sol. Sentados no interior do Mercedes azul-escuro e resguardados do frio que se fazia sentir, observavam a luz do entardecer reflectida na imensidão lamacenta da baía de Alcochete.

O cheiro do lodo escuro intensificava-se. Aspiravam a maresia vinda do oceano. Sob a luz alaranjada que declinava no horizonte ele pegou na sua mão e acariciou um a um os seus dedos esguios. Calados na magia do momento, cruzavam os seus olhares, furtivamente, como duas crianças apanhadas em falta. (...)

- Tenho cancro – tinha-lhe dito. Assim, sem reservas nem rodeios, logo na primeira troca de palavras, como se o quisesse prevenir do risco.

– Tens cancro – repetiu, pensando que não tinha abarcado o significado do que dissera. E as suas palavras ficaram, por momentos, a pairar no silêncio.

Opinião

Este livro foi uma oferta da Papiro Editora, a quem desde já agradeço o apoio editorial tão precioso que tem dado ao Prazer da Leitura.

Esta opinião, foi a mais difícil que fiz até agora sobre um livro.

O que aqui escrevo, está muito longe de atingir a intensidade da mensagem, que esta mãe quis transmitir neste livro.

O testemunho que esta mãe dá, da luta constante e sem tréguas que a sua filha teve de travar contra o cancro, sensibilizou-me bastante.

É um simples relato, de parte da curta vida da jovem Margaret, mas sem dúvida uma grande lição de vida que me marcou bastante. Um relato carregado de sentimentos como o amor, a saudade e a esperança. Sentimentos esses que me fizeram viver esta história de perto, partilhando com esta mãe e seus familiares cada momento.

A coragem e vontade de viver de Margaret impressionou-me.

Tenho vinte e sete anos, estudei, namorei, casei e fui mãe, realidades da minha vida que esta jovem de vinte e três anos sempre quis alcançar e que o destino assim não o permitiu.

Sei que muita gente não lê histórias inéditas, pois preferem ler ficção. O mundo dos sonhos é bem mais agradável, que uma visão da pura realidade que é a vida de qualquer ser humano e o quanto ela pode ser frágil.

Como a mãe de Margaret e escritora deste livro diz :

“ (…)nunca acontece connosco, não é ? “

A mim já aconteceu!

Claro que a minha avó já não era nova, mas as pessoas valem pelo significado que têm para nós. O cancro não escolhe idades nem vê caras, muitas vezes é fatal e inevitável.

Gostava muito de ajudar a mãe de Margaret a passar a sua mensagem, ajudem também.

“ Penso que, um dia, gostaria de dar a conhecer a tua vida. Mostrar ao mundo o teu testemunho de luta pacífica, de coragem inabalável, de vontade de viver. “

Ana Paula Pinto (mãe de Margaret)

Com a venda deste livro, Ana Paula Pinto irá fazer um donativo em nome da sua filha, á Liga Portuguesa contra o Cancro.

Caso não compre este livro, deixo o link para quem quiser fazer o seu próprio donativo.

Vamos ajudar…



terça-feira, 17 de agosto de 2010

A CORAGEM DE UMA MÃE - Marie-Laure Picat

Sinopse

A luta de uma mãe que, condenada a uma morte anunciada, tenta encontrar uma família de acolhimento que possa receber e proteger os seus quatro filhos. A sua história e personalidade transtornaram a França.

Como viver o fim da vida, quando não se atingiu ainda os 40 anos e se é mãe de família? No último Outono, Marie-Laure Picat toma conhecimento que padece de um cancro maligno fulminante. O seu primeiro pensamento dirige-se aos seus filhos: o que lhes acontecerá após a sua morte? Decidida a assumir o papel de mãe até ao fim, escolhe ela própria uma família de acolhimento, estando disposta a enfrentar todos os obstáculos: não, não lhe compete a ela decidir o futuro dos seus filhos, mas sim ao juiz, após a sua morte. Não, nada garante que a Julie, o Thibault, o Mathieu e a Margot serão criados juntos. Não, não irão viver no local em que cresceram.

Indignada com a injustiça da situação, Marie-Laure contacta os meios de comunicação social. É então que se cria um extraordinário movimento de solidariedade, com a imprensa a passar a mensagem: a coragem desta jovem mãe comove o país, o que lhe proporcionará um apoio inesperado.

Foi para deixar uma mensagem que Marie-Laure quis escrever este testemunho, em primeiro lugar para os seus filhos, mas também para mostrar que é necessário dissolver a teia burocrática imposta às famílias decompostas. Para que a sua luta não morra com ela.

Opinião

Já li algumas histórias inéditas, mas nenhuma me sensibilizou tanto quanto esta, que é descrita neste pequeno e grande livro.

Pequeno por somente conter 198 páginas, mas grande pela mensagem e pelas lições que nos dá, através de um testemunho tão notável que Marie-Laure Picat nos deixou após ter sido vitima de um cancro maligno fulminante.

Deixou a nós, a todos aqueles que passam por uma situação semelhante á sua e principalmente aos filhos que tanto amava, por forma a conhecerem-na melhor e compreenderem o objectivo da sua luta.

Uma luta como ela disse “estúpida”, contra uma burocracia cheia de regras, leis e formalidades administrativas, para assegurar o futuro dos seus filhos.

“ Encontrara-lhes um novo lar e certificara-me de que não seriam separados, que cresciam junto de pessoas fantásticas, no meio envolvente em que sempre haviam vivido. “

O amor maternal, a personalidade, o humor e a coragem de Marie-Laure, não me deixou indiferente e não queria, tal como ela disse, que a sua morte fosse em vão, por isso aconselho a todos a leitura desta história.

Em sua memória deixo este pequeno filme.