quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

UMA PEDRA SOBRE O RIO – Margarida Fonseca Santos

Sinopse

Todos sentimos, um dia, que a nossa vida poderia ser melhor. Mas nem sempre conseguimos dar o primeiro passo em direcção à felicidade. Às vezes são as memórias que nos impedem de olhar para o outro lado do caminho, outras somos nós que fechamos as portas.

"Novela que se reparte pela alegoria, a parábola e o registo realista, Uma Pedra sobre o Rio insere-se com agilidade naquela categoria de livros de quem o leitor desprevenido se torna amigo." Eugénio Lisboa, in Prefácio

Opinião

Existem livros que nos marcam, que nos tocam particularmente, este sem dúvida é um deles. Posso dizer, que até agora, nunca me tinha identificado tanto com um livro. Esta sensação foi de tal maneira tão profunda, que do principio ao fim desta narrativa me arrepiei toda.

Claro que é uma opinião particular, mas quantos de nós não ficámos já divididos entre o prazer de fazer as coisas e o dever?

“O equilíbrio de cada um dependia das opções entre o ter de e o gostar de.”

Esta é uma das questões com que Teresa, a personagem principal desta história, se depara no decorrer desta narrativa. Ela é engenheira civil, no entanto, dentro dela está adormecido um grande talento para pintura. A frustração e a falta de ânimo no desempenhar da sua profissão, tornou a sua vida num autêntico pesadelo. E…

“Quando não estamos bem connosco, dificilmente estamos bem com os outros.”

Logo, as pessoas que faziam parte da sua vida, acabaram por se ver envolvidas nas suas crises de humor e frustração.

“Acho que te custa não fazeres aquilo de que gostas e que te estás a tornar uma revoltada por isso.”

Não é fácil lutarmos por aquilo que nos dá prazer fazer – pensamos no que os outros pensarão, e as dúvidas que surgem ao tentar tomar uma decisão. É como se existisse uma sombra. Acompanha-nos para onde quer que se vá, e só depende de nós colocar “uma pedra sobre o rio” para conseguirmos atravessá-lo. Será que foi isso que a Teresa fez?

Não vos poderei responder, só mesmo lendo este fantástico livro. Só poderei levantar uma ponta do véu – o final é surpreendente.

Falando agora de forma mais técnica, a escrita é muito simples e fluida. A narrativa está dividida de forma organizada, de acordo com o seu desenvolvimento. Em suma, todas as qualidades essenciais para uma leitura agradável, para que se aproveite ao máximo este momento que apela à reflexão, que nos leva ao encontro de nós mesmos.

Artigos Relacionados:

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

TANTA GENTE, MARIANA – Maria Judite de Carvalho

Sinopse

Uma mulher, Mariana, descobre que vai morrer. Só, no seu quarto, passa em revista toda a sua vida. Desde o falecimento prematuro da mãe ao carinho extremo e triste do pai. Entre alegrias e tristezas esta é uma análise implacável da solidão dos tempos modernos em que, mesmo rodeados pelos outros, nos fechamos em nós.
Opinião
Este livro foi oferecido pela Babel editora, que mais uma vez apoiou o Prazer da Leitura na continuação do trabalho desenvolvido na divulgação de livros e mais em concreto, autores nacionais.
Maria Judite de Carvalho, considerada umas das maiores escritoras do seu tempo, pelo modo como escrevia e pela irreverência demonstrada nos temas abordados nas suas obras. Se tivermos em conta a época em que viveu, tudo isto ganha uma maior relevância e dimensão cultural.
“Tanta Gente Mariana” não é apenas um simples livro de contos. Mais que isso, é um retrato da vida das mulheres na época onde está inserido, com a magia de poder ser perfeitamente enquadrado na época em que vivemos. Histórias trágicas, mulheres frustradas, sonhos perdidos, tudo isto está presente neste livro de uma forma bastante humana e realista.
A escrita utilizada é suave, quase poética mas sem qualquer máscara que esconda a melancolia e a dor vivida pelas protagonistas de cada história.
É de todo impossível ficar indiferente á mensagem que este livro pretende transmitir e no final da leitura não sermos mais críticos em relação ao mundo que nos rodeia, especialmente no campo dos afectos e no modo como interagimos com os outros, principalmente os mais próximos de nós.
Ao lermos “Tanta Gente Mariana”, como diz na sinopse e muito bem, “transformamo-nos em pessoas diferentes. «Crescemos» um pouco, mudamos mentalidades, reflectimos neste percurso existencial que todos fazemos”.



Artigos Relacionados:

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

TALVEZ 10 SEJA MELHOR - Rita Vilela

Sinopse:

Diz o ditado que um é pouco, dois é bom… Margarida está prestes a descobrir que talvez dez seja melhor!

Uma bola prateada que rola no passeio… um candeeiro que cai de cima da mesa… um vestido que se solta da corda da roupa… um quadro que muda de cor… são alguns dos sinais da mudança que se aproxima.

O ponto de viragem na vida de Margarida, a partir do qual nunca mais nada será como antes, está agora cada vez mais próximo!

Opinião:

Para mim, este livro é mágico.

Depois de devorar por completo o último livro da escritora Rita Vilela, posso dizer que bati o meu recorde ao ler esta obra num só dia. Sei que não tem muitas páginas, mas a história sem dúvida que ajuda.

Margarida é uma rapariga com uma infância triste, facto que faz com que ela se proteja numa carapaça, como um caracol. Para evitar o sofrimento, entrega-se ao seu trabalho de forma árdua, uma vida solitária preenchida somente com bens materiais.

O que Margarida não sabia era que um dia se iria aperceber que: “(…) tenho-me vindo a enganar a mim própria cada vez que repito “eu não preciso de ninguém” (…)”. Mas precisava, e, se não o sabia reconhecer, a vida iria encarregar-se de o demonstrar.

“ (…) recentes mudanças, que tinham começado a pouco e pouco, como se tudo à minha volta conspirasse para me empurrar para um caminho diferente (…).”

Foram os diferentes caminhos, que Margarida foi encontrando no decorrer desta narrativa, que deram um dinamismo único a esta história. No fundo, conforme as coisas se iam passando, eu ganhava uma vontade enorme de saber o que a esperava a seguir. E os títulos que a escritora Rita Vilela escolheu para os capítulos são extremamente cativantes, espicaçam ainda mais a curiosidade.

A estrutura do livro é idêntica à do seu último livro “O Construtor de Futuros”; os capítulos não são extensos e encontram-se muito bem organizados; a escrita é muito acessível e fluida. O livro tem todas as características favoráveis para uma leitura agradável.

Gostava de deixar uma sugestão á escritora Rita Vilela: acho que deveria haver um segundo livro, pois gostaria de saber como seria a vida da Margarida se houvesse “talvez 11!!” Será que seria melhor?


Artigos Relacionados:




segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

TUDO PODE MUDAR – Jonathan Tropper

Sinopse

A julgar pelas aparências, Zachary King é um homem cheio de sorte. Tem tudo na vida: um emprego estável e bem pago, um apartamento de graça em Manhattan, e uma noiva lindíssima e muito bem-sucedida. Mas à medida que o dia do casamento com Hope se aproxima, Zack sente-se cada vez mais perseguido pelas recordações de Rael, o melhor amigo que morreu num acidente de carro, e pelos sentimentos complexos que nutre por Tamara, a viúva de Rael.

Opinião
Este livro foi uma oferta da Objectiva na sequência de um passatempo. A quem desde já agradeço o apoio editorial tão precioso que tem dado ao Prazer da Leitura.

“Como Falar com um Viúvo” é um livro deste mesmo autor, Jonathan Tropper, que sempre desejei mas nunca cheguei a comprar. Agora, após a leitura deste livro que vos apresento, será garantidamente uma das minhas próximas aquisições.

Confesso que quando o abri pela primeira vez, fiquei um bocado apreensiva. As letras eram pequeninas, os diálogos eram poucos e o livro era “gordinho”. Já não me acontece pela primeira vez, mas parece que ainda não aprendi a lição, as aparências iludem.

Fiquei completamente viciada neste livro. Como a escrita é muito acessível, os capítulos não são muito extensos e no seu final havia sempre alguma coisa que ficava no ar, não resistia á curiosidade e lá ia eu, para o capítulo seguinte.

Uma particularidade neste livro de que gostei, é o facto de a narrativa ser escrita na primeira pessoa. Encaramos a leitura de outra forma, no fundo é como se tivesse Zach a desabafar comigo directamente, sentimos a sua presença enquanto nos vai contando a sua história. Uma história cativante, que nos faz reflectir sobre o amor não só para com os outros, mas também o amor que temos para com nós próprios.

Ao contrário do que é referido na sinopse deste livro, não considero os acontecimentos aí descritos como fulcrais para o desenrolar da história. Na minha opinião a possível doença fatal que ameaça Zach é a principal alavanca para todos estes acontecimentos, e que faz, isso sim com que estes se tornem determinantes no seu desenrolar, porque lhe dá uma perspectiva bem diferente do que é a sua vida e o que de mais importante existe nela.

O único ponto que achei menos positivo foi o seu final. Estava á espera que o fim correspondesse mais ao conteúdo que seguimos durante toda a narrativa, que me surpreendesse mais. No entanto não deixou de ser um final agradável e de mostrar de que “Tudo pode Mudar”.

Sem dúvida de que recomendo.


Artigos relacionados:

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Colecção Rei Ludovico – Mariana Vaz Serra


Esta colecção infanto-juvenil procura desenvolver diversas temáticas a partir da relação entre o rei Ludovico e o seu novo amigo: Ismael.

É um conjunto de contos que têm como personagem principal o rei Ludovico: um rei de um reino imaginário, que nunca é identificado. Tem cerca de 50 anos, nunca foi casado, nem teve filhos. Tem um irmão que também é rei de um reino vizinho e um sobrinho. Como rei, é um homem justo e amado pelo seu povo. O rei Ludovico será acompanhado nas suas aventuras por Ismael, um rapaz com 10 anos de idade. É um rapaz bom, mas orgulhoso. Aos poucos vai perdendo a sua inocência de criança para se começar a tornar num adolescente.

Cada conto tem por base uma passagem bíblica ou do Catecismo da Igreja Católica, tentando promover os valores inerentes.

A Viagem do Rei Ludovico

Talvez por não ter frequentado a Catequese quando era nova, esta colecção tenha tido um sabor mais especial.

Este primeiro livro da colecção, “A Viagem do Rei Ludovico”, aborda uma tema bem conhecido, o nascimento de Jesus.

Nesta primeira aventura, o Rei Ludovico acompanha os três Reis Magos na viagem que fazem para ir ao encontro de uma Estrela muito brilhante. A Estrela que anuncia a chegada de alguém muito importante, alguém que traz consigo a marca de Deus. Mas o Rei Ludovico não tem somente o privilegio de assistir a este acontecimento, conhece também aquele que virá a ser o seu “filho”, o Ismael. Esta viagem tornou-se não só para ele como para nós, os leitores, numa importante reflexão sobre alguns valores da vida.

O Conselheiro do Rei Ludovico

Neste livro, o Rei Ludovico fica dividido entre a verdade e a mentira, sendo que o seu “filho” Ismael será o centro desta suspeita.

Não é um livro alusivo á época Natalícia, mas o seu conteúdo transporta igualmente uma mensagem importante. As acções que Ismael tem para com os outros, fazem-nos reflectir sobre as nossas próprias atitudes.

Livros magníficos para as crianças, seja qual for a sua idade. Pois mesmo não tendo a noção da mensagem que transmite, as imagens falam por si, pelos menos foi o que o meu filho Gabriel de 2 anos achou. O facto de lhe referir o menino triste, o Rei, o senhor mau, com o acompanhamento que lhe dou e através de uma simples explicação, acaba por ficar a entender um pouco da história.

A escrita simples e as belas ilustrações, fazem desta leitura uma leitura muito agradável. No fim de cada livro, existem propostas de trabalho para fazer individualmente ou em grupo. São apresentadas várias formas de aprender e reflectir sobre estas histórias, até mesmo de forma mais especifica, utilizando a Bíblia.


Artigos Relacionados:

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Câmara de Reflexão

Sinopse

Um livro que é uma compilação de histórias simples e reais, histórias que não são embelezadas por longas explicações académicas ou intelectuais, recheadas de palavras com sentido ambíguo… Estes 36 homens e mulheres, possuidores de um talento tremendo, vão ser os vossos cicerones numa viagem ímpar, que vos levará, entre outros destinos, da Baixa Alfacinha à Guiné-Bissau, do Iraque a Cabinda, do Afeganistão ao Peru, do nascimento de uma criança ao terror de uma guerra.

Opinião

Este livro é sem dúvida um daqueles que não é fácil dar opinião…

Estamos a falar de 36 histórias escritas por 36 repórteres de imagem, cada um com o seu testemunho e com registos de escrita totalmente distintos. São relatos que parecem cenas de um filme mas que no fundo são reais, de quem viveu em directo tudo o que é descrito.

Não vou comentar se o repórter A escreve melhor que o B, ou se o C tem melhor história que o D, no fundo estamos a falar de um livro feito de pequenas partes, mas que o resultado final é um fantástico livro, onde qualquer avô gostaria de ser protagonista de um destes relatos para ter a possibilidade de um dia contar aos netos na primeira pessoa. Obviamente existem bastantes relatos de zonas de guerra, ou zonas problemáticas, mas também existem aquelas que marcaram pela positiva e por isso se encontram nesta compilação.

Nestas histórias, somos transportados para diversas posições do globo através dos relatos pessoais escritos de um modo simples, sem grandes metáforas, sem linguagem complexa, possibilitando sentir logo á partida toda a envolvente de cada um deles, no fundo estes profissionais, mesmo sem quererem, conseguiram mais uma vez fazer aquilo que de melhor fazem, ou seja, transmitirem-nos uma imagem, apenas com a diferença de que desta vez foi captada pela melhor objectiva de todas, e gravada na melhor cassete de todas, os olhos e o cérebro respectivamente.

Admito que houve relatos que me impressionaram mais que outros, mas de certa forma todos me tocaram e deixaram uma marca. De facto é incrível perceber que enquanto estamos no sofá a olhar para uma qualquer reportagem, para isto ser possível, alguém esteve privado de conforto, ou longe da família, ou foi atacado por um qualquer animal, ou esteve debaixo de fogo cruzado, ou acabou até por descobrir um paraíso. É impossível focar numa só opinião todos os relatos, mas destaco algo que sobressai em todos eles e que mostra a enorme humanidade destes profissionais: Sensibilidade.

Todos eles perante uma qualquer situação mostram uma sensibilidade incrível no modo como descrevem cada cena, a mesma sensibilidade que nos transmitem nas imagem que nos enviam todos os dias, que tantas vezes nos passa despercebida, aqui está bem presente não só na descrição de cada cena mas também nas decisões que tomaram sobre o que devia ou não ser partilhado com o mundo, sem que isso interferisse com o normal decorrer dos acontecimentos.

Esta sensibilidade é ainda demonstrada quando os mesmos renunciaram á partida todos os possíveis lucros resultantes do livro, sendo que as receitas revertem para o Centro de Acolhimento Temporário "Janela Aberta". Aqui sim foi-lhes possibilitado de certa forma alterar o rumo da história, ao contrário de todas as outras que relataram.

Para finalizar saliento apenas a minha discórdia com o título utilizado “Câmara de Reflexão” pois acho que leva o livro para um nível que não me parece que esteja totalmente identificado no conteúdo do mesmo, podendo mesmo afastar alguns leitores que se deixem enganar pelo título.

É sem dúvida um livro que recomendo, pois os relatos apresentados são incrivelmente cativantes. Ao mesmo tempo, levam-nos a conhecer a realidade humana destes profissionais que nos brindam todos os dias com imagens incríveis do mundo que nos rodeia, e que sem eles nos passaria despercebido.

O meu muito obrigado aos autores por terem tido a coragem de partilharem pedaços da sua vida com quem como eu, teve ou vai ter a oportunidade de ler este fantástico livro.

Elaborado por: Marco Santos

GÉNIOS DO MUNDO – BEETHOVEN – Margarida Fonseca Santos

Sinopse

Beethoven... o mais clássico dos compositores da sua época, já a abrir a porta para o Romantismo!

Um homem que lutou com a surdez, mas escreveu música até ao fim da vida, mesmo quando a vida parecia querer boicotá-lo!

Um grupo de estudantes prepara um trabalho sobre Beethoven e descobre como, também para eles, a vida deste compositor se torna um exemplo e uma passagem para outra forma de ver o mundo!

Opinião

Este é outro livro do conjunto de 12 que compõem a colecção “Génios do Mundo”, uma colecção fantástica.

Mais uma vez este livro, da Editora Zero a Oito, dá-nos a conhecer uma figura marcante da história da humanidade. O último livro desta colecção que li, escrito pela autora Rita Vilela, falava sobre um grande artista, Van Gogh. Este, que vos apresento, é escrito por Margarida Fonseca Santos e fala da vida e obra de Beethoven, um compositor memorável no mundo da música clássica.

Mais uma vez, não posso deixar de elogiar o trabalho destas duas escritoras. A pesquisa que foi feita em torno destes artistas, e a adaptação de toda esta informação para estas histórias, é incrível. Algumas pessoas, ao olhar para estes livros, poderão pensar que se trata de uma leitura aborrecida, que falar da vida de artistas que deixaram a sua marca há muitos anos, é ensinar História e a História é aborrecido. Só vos digo uma coisa, é uma ideia totalmente errada. Claro que encontramos informações históricas, mas a forma como são descritas, e como são inseridas na própria narrativa, faz toda a diferença.

Margarida Fonseca Santos apresenta-nos o compositor Beethoven, através de um trabalho escolar anual que Joana, Mariana e Pedro têm de fazer. Deste grupo, somente Pedro não achou a ideia de elaborar este trabalho lá muito animadora, mas depressa se arrependeu de ter reagido assim. Beethoven tem sem dúvida um percurso marcante no mundo da música, que começa desde muito cedo. Não sei se sabem que ele deu o seu primeiro concerto aos sete anos de idade. De forma engraçada, vamos conhecendo a sua vida, enriquecendo a nossa cultura e apreciando as ilustrações espantosas de Vasco Gargalo.

Tive sempre uma curiosidade em relação a este artista: “Como poderia sobreviver um músico, um compositor, sem ouvir?”. Não poderia ter ficado mais esclarecida sobre este facto tão interessante, que marca a vida deste compositor deveras especial.

Interessante e agradável, uma escrita fluida e acessível, são as características que melhor descrevem esta minha leitura.

Eu recomendo esta colecção, é maravilhosa.


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A CIRURGIA DO PRAZER - Miguel Almeida

Sinopse

A literatura com conteúdo sexual e erótico faz sentir, mas também pode fazer pensar!

Se a sexualidade e a moralidade, a realidade e a ficção, a descrição e a reflexão, forem exploradas em cada personagem, em cada atmosfera e em cada situação, o resultado pode ser uma viagem sensual, e ao mesmo tempo inspiradora, ao centro da comédia humana. Que dá gosto ler. E que nos convoca para a tarefa do entendimento.

Eis o desafio que Miguel Almeida assumiu com esta obra surpreendente: escrever sobre sexo, citando Nietzsche, interpelando António Quadros e discorrendo sobre o significado de um orgasmo mal comportado.

Diz-se que “em Portugal escrevemos pouco sobre sexo e nem sempre sai grande coisa”. E acrescenta-se: “Não é fácil encontrar na literatura portuguesa bons nacos de prosa ou passagens poéticas com conteúdo sexual, talvez porque as palavras do nosso português não ajudam”. Pois bem, este livro dá uma res¬posta estrondosa a estas lamentações. É um exemplo luminoso de boa literatura com conteúdo sexual e eró¬tico ― usando a nossa língua: aquela que nos ensinaram na escola primária! Se os bra¬sileiros conseguem, há portugueses que também lá chegam…

Opinião

Ao ler a sinopse deste livro, podemos ficar com aquela sensação de “sim senhor, aqui está um livro que qualquer pessoa devia ler”, até porque o sexo hoje em dia ainda é um tema tabu na nossa sociedade.

Desenganem-se aqueles que pensam que vão ficar excitados ao ler estes contos, pois eles têm a função de excitar sim o nosso cérebro, mas na vertente filosófica da questão, ou seja, põem-nos a pensar em sexo não de uma forma erótica, mas de uma forma divertida, sem nunca esquecer a questão filosófica que envolve todo este tema.

Apesar de ser um livro que apela à reflexão, a forma e a linguagem simples que o autor utiliza na apresentação dos contos, torna a sua leitura bastante fácil e ao alcance de todos. Não posso afirmar que todos eles são igualmente divertidos, até porque o grau de divertimento de cada um varia com a perspicácia utilizada pelo autor mediante a escolha de cada situação para falar de um determinado tema sexual, ou mesmo na escolha dos nomes das personagens, tais como Eduardo Censor, Francisco Manso ou mesmo Zeferino Bang-Bang. Há ainda aqueles que são integralmente virados para a reflexão (poucos felizmente).

Este livro não responde a nenhuma questão sexual directamente, mas tem a capacidade de nos fazer reflectir sobre muitas destas questões e incita-nos a encontrarmos as nossas próprias respostas.

Como opinião geral, penso que se trata de um livro que mistura o género lúdico com o filosófico e que proporciona momentos interessantes de leitura.


Artigos Relacionados:

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Baby Blues 27: Emboscados na Sala de Estar! - Rick Kirkman e Jerry Scott

Sinopse

Com 3 crianças em casa, Zoe, Hammie e Wren, não há muitos cantos onde Wanda e Darryl se possam esconder. Ou participam nas brincadeiras dos manos, ou… participam.

Opinião

Este livro foi oferecido pela editora Bizâncio, à qual agradeço desde já o apoio incondicional que têm dado ao Prazer da Leitura.

Trata-se de uma BD a preto e branco, de estilo cómico, onde são retratados pequenos episódios da vida quotidiana de um casal e dos seus 3 filhos. O livro é de fácil leitura e posso dizer-vos que em apenas dois dias devorei este livro, pois cada cena é constituída por uma meia dúzia de “quadradinhos” tornando rápida a leitura do livro, e de fácil compreensão da mensagem de cada uma destas pequenas histórias.

Como é normal, algumas destas passagens dizem-nos mais do que outras, mas como pai acreditem que muitas delas me disseram algo e pareceram-me inclusive bastante familiares. È Impossível ler uma história que seja, sem soltar no mínimo um sorriso, sendo que a mim o efeito predominante ao longo da leitura foi mais ao nível da gargalhada, tendo libertado muitos sorrisos á mistura.

É um livro bom para se desfolhar e desanuviar, fazendo-nos pensar que aquilo a que somos sujeitos pelos nossos filhos ao longo da nossa vida, muitos outros pais também o são com certeza.

Todas estas situações tornam não só a vida dos pais muito mais emocionantes, mas dão-lhe também aquele toque especial que só os filhos sabem dar…

Mesmo para quem não gosta de BD, aconselho a leitura desta (principalmente a quem tem filhos).

Elaborado por: Marco Santos


Artigos Relacionados:

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Colecção Perguntas à Procura de Resposta – Rita Vilela


Afinal, que colecção é esta?

Trata-se de uma colecção infantil a publicar na PAULUS Editora que, de uma forma leve e divertida, procura promover a reflexão à volta de princípios, e de outros aspectos relevante para a criança e para a sua relação com os outros.

O texto é de Rita Vilela, a ilustração de Ana Sofia Caetano, que se estreiam agora na publicação de livros infantis.

Em cada livro, princesas, animais, personagens imaginadas falam-nos de realidades e problemas do universo dos mais pequenos.

No final de cada história, os educadores encontram uma ficha com questões destinadas a promover a comunicação em torno das mensagens a partilhar (ver exemplo, aqui).

Uma colecção que ajuda crianças e adultos a conhecerem-se melhor.

Opinião

Esta colecção foi uma oferta da Paulus Editora, a quem desde já agradeço o apoio editorial que deu ao Prazer da Leitura. A mesma é composta por quatro livros: “A Boca que Gritava Demais”, “A Coragem do Leão”, “O Comboio dos Fugitivos” e “O Tempo da Princesa”.

Dou a minha opinião sobre a Colecção Perguntas à Procura de Resposta de Rita Vilela, não apenas no papel de crítica literária mas também no papel de mãe.

Posso dizer que desde que apresentei esta colecção ao Gabriel, meu filho, não mais lhe consegui mais pegar até ele adormecer. As ilustrações maravilhosas, cheias de vida e cor, cativaram a sua atenção e posso dizer-vos que a minha também.

O texto é muito simples, mas o seu conteúdo tem claramente o objectivo de estimular o cérebro da criança. As questões que dele resultam, ou as que nos são apresentadas no final do livro, através da “Ficha do Educador”, permitem-nos interagir com as crianças através de um debate dinâmico, de modo a que estas possam reflectir e expressar os seus pontos de vista sobre a história.

A “Ficha do educador” surge como um auxiliar ao adulto que acompanha a leitura da criança, ou àquele que conta a história a um grupo de crianças, tornando-se determinante para se atingirem os resultados pretendidos. As perguntas elaboradas e as informações que nelas se encontram, possibilitam o desenvolvimento de um conjunto de actividades em torno da temática do livro, desde um debate, a um teatro de fantoches, sendo que o objectivo é, de uma forma lúdica, favorecer o desenvolvimento das crianças e a sua aprendizagem.
 


Artigos Relacionados:
 
 
 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O DESPERTAR DO ADORMECIDO – Alistair Morgan

Sinopse

John Wraith, de 46 anos, recupera a consciência depois de um grave acidente; só então toma conhecimento de que a sua mulher e a sua filha de 5 anos morreram tragicamente no carro que ele mesmo conduzia. Por sugestão da irmã irá recuperar na casa de férias, em Nature’s Valley, um local remoto da costa sul-africana. É Inverno e a terra está quase deserta. Porém, conhece aí uma perturbada jovem de 17 anos, o seu pai e o seu irmão, e deixa-se atrair irremediavelmente por esta família disfuncional. Uma análise intensa sobre a perda e a obsessão que fazem de O Despertar do Adormecido um notável thriller psicológico.

Opinião

Este livro foi uma oferta da Bizâncio na sequência de um passatempo. A quem desde já agradeço o apoio editorial tão precioso que tem dado ao Prazer da Leitura.
Sem dúvida que este livro é “ um notável thiller psicológico “, que nos envolve e nos prende do principio ao fim.

A perda da sua mulher e da sua filha de 5 anos, marcam profundamente John, sentimento que é transmitido de forma clara durante toda a narrativa a par do sentimento de dor. De facto, estes dois sentimentos quase palpáveis, estão presentes ao longo de todo o livro, não só em torno de John mas de todo o enredo em si.

Quando este vai passar uns tempos em Nature’s Valley, conhece não só uma jovem de 17 anos perturbada psicologicamente, mas toda a sua família completamente destroçada por um trágico acontecimento. Toda esta envolvente, acaba por aumentar ainda mais sentimentos complexos e de perda. Algumas partes desta narrativa, acabam por ser mesmo comoventes e perturbantes.

A escrita simples e o conteúdo envolvente, contribuem para uma leitura fácil. No entanto acho que o final devia ter sido mais desenvolvido, pois fiquei com a sensação de que falta informação e que a narrativa foi cortada. No fundo o final foi muito superficial, no meu entender, gostava de saber mais pormenores.

De um modo geral, achei o livro interessante e recomendo.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

DEIXA QUE TE DIGA - Rosa Maria Ribeiro

Todos podemos ser personagens nestas histórias, viajantes nestas formas de sentir, pelo menos alguma vez na vida. Ou podemos ter-nos cruzado com gente e sentimentos assim. Pode ser um retrato dum tempo num espaço qualquer no nosso trajecto ou não ser coisa nenhuma. Talvez só uma forma de pensar o outro e os outros na sua forma de estar na vida, com as suas questões e interrogações sempre latentes. Alguém terá vivido assim.

No livro, o conjunto de textos que escolhi não pretendem ter princípio nem fim. Não tem continuidade, nem um fio de ligação, propositado.

Dá ao leitor a possibilidade de saltar de texto em texto de acordo com a vontade de beber um copo de água... E sacia a sede.

No fundo são pequenos fragmentos de vida. Momentos sentidos, vividos por gente vulgar que cada um pode projectar dentro de si. Na reflexão que pode fazer, depois da leitura ou do copo vazio.

Foram escritos ao longo do tempo e ao correr das emoções sentidas nos outros ou em mim, no confronto das coisas. Foram Guerra e foram Paz. Poesia e Prosa. Aconteceram. Estão aí.

São palavras que o coração dita, sem voz e a razão regista. É o abraço cúmplice dos dois que lhes dá vida e os faz ser o que são. A memória de quem sente.

São só água. E é quanto chega a quem tem sede. E um gole mesmo pequeno, sacia.

A nascente está lá.

Opinião

Este livro foi oferecido pela editora Alfarroba e pela escritora Rosa Maria Ribeiro, ás quais agradeço desde já pelo apoio que têm dado ao Prazer da Leitura. É um livro pequeno no formato mas grande na mensagem, facto que nos apercebemos quando o começamos a ler, pois as histórias vão-se enrolando a nós, tornando-se impossível deixar que esta leitura não nos toque directamente.

O livro é composto por muitos pequenos textos, que estando definidos como “prosa-poética” nos transportam para uma realidade desconhecida e até às vezes incómoda por um lado, mas por outro tem o poder de nos provocar a estranha sensação de déja vu…

Este livro tocou-me na maneira como está escrito. São textos breves, sem qualquer ligação entre si, mas todos têm uma forte carga sentimental. Isto é visível nas suas metáforas, às vezes levadas ao extremo, mas que sem dúvida dão outro sabor a quem bebe esta ”água”.

É um livro que coloco na secção “não é para ler, é para se ir lendo”. Apetece guardá-lo junto a nós para que quando a “sede” vier ele esteja presente para a saciar e assim dar-nos aquela sensação de conforto necessária.

É um livro para ler de cabeça vazia, sem nada em redor, em paz, para que cada texto possa ser sorvido eficazmente e as figuras de estilo façam sentido á medida que as palavras vão fluindo na leitura.

Dou os meus parabéns á autora Rosa Maria Ribeiro, por conseguir fazer com que banais situações da vida se tenham tornado elas próprias em grandes lições de vida.


Artigos Relacionados:


sábado, 20 de novembro de 2010

GÉNIOS DO MUNDO - VAN GOGH – Rita Vilela

Sinopse

A história de uma mulher que gosta de ler a correspondência alheia e que, através das cartas escritas por Van Gogh ao irmão, vai ficar conquistada por esse pintor e ser humano tão especial…
Opinião
Esta leitura para mim, foi sem dúvida fantástica.
Tenho muita pena que esta colecção de 12 livros, intitulada de “Génios do Mundo”, tenha venda exclusiva no Modelo e Continente. Este facto, faz com que os mesmos se tornem um pouco difíceis de encontrar, mas não impossíveis.
Estes livros, da editora Zero a Oito, dão-nos a conhecer as figuras mais marcantes da história da humanidade, como o caso de Van Gogh, mas também de Leonardo da Vinci, Marie Curie, Mozart, entre outros e repartem-se entre duas autoras, Rita Vilela e Margarida Fonseca Santos.  

Posso dizer-vos que, se tivesse este livrinho nas mãos na altura em que frequentei o meu curso de artes, tinha tido de certeza um sucesso maior no teste que fiz, cujo o conteúdo incluía a vida e obra deste grande artista.

Atenção que não estou a insinuar, que este livro é um manual, pois de manual não tem nada. Realmente dá-nos a conhecer o famoso artista Van Gogh, mas de uma forma bem engraçada e divertida.

Através do diálogo entre duas vizinhas - Fran e Ana - Rita Vilela apresenta-nos este artista. É espantoso o trabalho que esta escritora teve, para integrar todas as informações, sobre a sua vida e obra, no dialogo que estas vão tendo ao longo da narrativa. Acompanhada por ilustrações espantosas de Vasco Gargalo, torna-se sem dúvida uma leitura agradável.

Tratando-se de um dialogo, o ritmo é bastante bom e a escrita, acessível. Os capítulos são curtos, e a sequência entre texto e ilustrações está muito bem conseguida.

Como no livro anterior que li da Rita Vilela, este também tem um aspecto negativo, Van Gogh já não está entre nós para o conhecer pessoalmente. Ora isto não é justo…

Artigos Relacionados


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ASCENSÃO E QUEDA - Maria Fátima Soares

Sinopse:

"Andreia é uma jovem como tantas outras. Um pouco insegura, talvez em excesso, porém bastante "madura" para a sua idade, muito perspicaz e atenta observadora de tudo o que a rodeia. Criada por uma mãe protectora, distraída, no bom sentido, mas um pouco ausente, devido a uma carreira que lhe preenche muito do tempo que sabe ser necessário à filha. O pai, emigrante na longínqua Austrália, luta ele também pelo futuro de ambas. Andreia tem por isso de ser consciente, e muitas vezes os papéis de mãe e filha invertem-se. Não frequenta os lugares habituais dos jovens da sua idade. Com Ema, como costuma chamar o seu amigo de infância, partilha segredos, alegrias e tristezas, compras e idas ao Centro Comercial. Mas a vida normal e monótona destes amigos depressa sofrerá um choque.

O seu quotidiano é invadido pelo sobrenatural e o mais improvável dos acontecimentos. Vêm-se envolvidos numa roda de aventuras perigosíssimas, onde sentimentos controversos os invadem e os deixam tão confusos que ambos têm dificuldade em geri-los, de forma a não se envolver de corpo e alma pelas situações. Andreia pisa a linha em que o regresso não é mais possível, arrastando consigo Emanuel. Estranhamente, a jovem indefesa e insegura adquire coragem e luta, chegando a abdicar da própria vida pela de um amor que está condenado desde início. Fora de todo este contexto, os pais seguem o seu normal desempenho, e quando até Emanuel é excluído do seu segredo, a amizade sofre a sua primeira grande prova."

Opinião:

Este livro foi uma oferta da escritora Maria Fátima Soares na sequência de um passatempo, a quem desde já agradeço o apoio que deu ao Prazer da Leitura.

“ Ascensão e Queda “ é o primeiro volume da colecção Redenção, composta por: “ Conflito e Retaliação “, “ Pena e Destino “ que vai ser lançado neste mês de Novembro e para o ano que vem, será concluída com o lançamento do IV Volume, “ Cercada “.

Tenho de admitir, que quando peguei pela primeira vez nesta obra, os sentimentos que esta despontou em mim eram contraditórios. Por um lado não era o meu género literário, mas por outro, o desafio de fazer uma leitura diferente e de uma autora que não conhecia, fez florescer em mim uma curiosidade enorme.

O que é certo, é que demorei três dias as lê-lo !!

Este livro conta-nos a história de Andreia, uma rapariga que apesar de não ter o pai ao seu lado devido ao facto de estar a emigrar na Austrália, tinha uma vida em tudo normal. Normal até ao dia em que encontrou Caleb e os irmãos num centro comercial, enquanto estava a almoçar com o seu melhor amigo Emanuel.

Até aqui nada de especial, não fosse Caleb e os irmãos, um grupo de Anjos Negros. De um dia para o outro, Andreia vê-se envolvida numa guerra entre este grupo, que luta pela obtenção da sua alma e o grupo dos Anjos da Luz, que selam pela protecção da mesma. No decorrer desta narrativa vamos assistindo a aventuras perigosíssimas e situações de grande tensão, mas também à aproximação de Caleb e Andreia. Um amor impossível e condenado por todos.

O que será que irá acontecer ?

Eu não posso desvendar mais nada da presente história, não querendo desvanecer o efeito que a mesma provoca durante a sua leitura. Só posso dizer que já encomendei o II Volume.

A sensação de vazio com que fiquei no final e a curiosidade de saber o destino reservado para esta jovem, é inevitável.

Os capítulos não são extensos e encontram-se bem divididos, o que faz com que se acompanhe facilmente a história. A escrita é fluida e simples, características estas que concebem um ritmo rápido à leitura deste livro.

Foi um momento agradável, que sem dúvida voltarei a saborear.

Artigos Relacionados:

- Apresentação da escritora Maria Fátima Soares

O CONSTRUTOR DE FUTUROS - Rita Vilela

Sinopse

Carlos sempre fora bom a imaginar personagens, cenários e enredos, a recriar na sua mente as histórias de vida que circulavam à sua volta.

O que começou por ser um trabalho repetitivo no serviço de atendimento de um Centro de Emprego acaba por se transformar numa actividade fascinante, quando Carlos descobre uma forma divergente de aplicar o seu potencial criativo.

Das nove às quatro, as pessoas cujo número da senha aparece no ecrã sentam-se à sua frente e contam-lhe a sua história. Ele selecciona os perfis mais prometedores e, antes que os interessados se apercebam, a mudança nas suas vidas já está em curso… O rumo é sempre surpreendente.

Entre os poucos que sabem o que ele realmente faz, é conhecido por “ O Construtor de Futuros “ .

Opinião

Foi através desta obra, que tive o meu primeiro contacto com o trabalho da escritora Rita Vilela. Não tinha conhecimento da sua existência e muito menos dos seus livros, tal como muitos de vocês com certeza.

Conheci-a através do facebook, esta rede que deixou de ser social e passou a ser essencial, pelo menos para ela, que a utiliza como meio principal para a divulgação das suas obras e eventos.

Posso dizer que devorei este livro, como devoro normalmente um pacote de bolachas, e só descansei quando alcancei o seu fim.

Rita Vilela apresenta-nos Carlos, empregado do serviço de atendimento do Centro de Emprego, que transformou o seu trabalho repetitivo e chato “ (…) num desafio fascinante “, tendo como objectivo a ajuda ao próximo.

Utilizando a sua imaginação e enorme criatividade, Carlos dedica-se em pegar nas histórias das pessoas que atende e arranja formas “ (…) de transformar essas histórias, de alterar aquelas vidas, conduzindo-as num caminho diferente, em direcção a um futuro melhor. “ Não fosse ele o famoso “ Construtor de Futuros “.

Durante a narrativa diverti-me imenso com as suas atitudes de detective, dele e da sua equipa, e com as muitas situações que iam surgindo, que fizeram desta história um autentico filme de acção.

O livro está muito bem organizado, dá-nos a conhecer todo o elenco que aparece nas operações do Carlos, que depois é inteligentemente adaptado a cada situação que tão bem acompanhamos no decorrer desta narrativa. A escrita é fluida e muito acessível, o que torna este livro ainda mais delicioso.

Só encontrei um ponto negativo, infelizmente o Carlos não é real !

Artigos Relacionados:

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O CINEMA NOSSO DE CADA DIA - António Augusto

Sinopse:

"O mais grave é que sei que mais tarde ou mais cedo isso vai acontecer, um dia vou estar suficientemente bêbado para o fazer. Não hoje, mas um dia... O ambiente quente e saturado, com cheiro forte a suor, juntamente com a imagem da Susana atrás do balcão estão a deixar-me muito excitado. Acabo rapidamente a bebida para sair dali para fora, preciso de apanhar ar novamente. Desço as escadas o mais rápido que posso, atravesso a pista de dança ao som do Suds & Soda dos dEUS..."

Opinião:
Este romance foi finalista do concurso literário promovido pela Editora Alma Azul em 2009, pelo que tratando-se de um concurso o escritor António Augusto teve respeitar uma série de regras. Uma das quais a sua extensão, por isso, é que esta pequena e grande obra tem cerca de 40 páginas.
Posso dizer sinceramente, que foi inevitável não ficar com uma sensação de vazio. A história cativou-me de tal forma, que quando cheguei ao último capítulo, gostava que houvesse mais dois e quando cheguei ao fim, gostava que houvesse um segundo volume.
Apesar de ser um romance, existem passagens nesta narrativa cheias de humor, até dei por mim a rir sozinha de tão engraçadas que eram.
Um pormenor que achei muito interessante, são os nomes dos capítulos. O escritor dividiu a narrativa em pequenos capítulos, todos eles identificados com um nome de um filme, o que não é de estranhar tendo em conta a sua paixão por esta temática.
Foi um momento agradável que este escritor me proporcionou, ao oferecer-me este livro. Mas espero acima de tudo, que esta obra não seja a única, porque um dom como este não poderá ficar guardado dentro de uma gaveta.
Espero ansiosa por novidades…

Artigos Relacionados:

terça-feira, 2 de novembro de 2010

OS SÍTIOS DA MEMÓRIA - Isabel Bracourt

Sinopse

Estes Sítios da Memória situam-se entre a Figueira da Foz e o Algarve.

A morte de um golfinho numa praia deserta, uma conversa no piano-bar, um papagaio improvisado num jardim de bairro ou uma noite na discoteca servem aqui de pretexto para Isabel Bracourt escrever o efémero, a solidão e o insólito que acontecem à sua volta, fazendo um contraponto entre o presente e passado.

Opinião

Foi através deste livro de Isabel Bracourt, que tive o meu primeiro contacto com este género literário a que damos o nome de Prosa Poética.

Através de 6 pequenas histórias, Isabel leva-nos a navegar a sítios que lhe são tão marcantes, o Algarve e a Figueira da Foz. A viagem que fazemos no decorrer desta prosa, transmite-nos uma empatia forte com o mar e dá-nos a conhecer diversas situações que podem muito bem acontecer a qualquer pessoa, seja qual for a sua idade.

Amizade, afinidade e serenidade, são alguns dos sentimentos descritos na sua escrita poética, sensível e fluida, que faz desta leitura um momento bastante agradável.


REFLEXO PERDIDO - Marta Carvalho

Sinopse

Tudo mudou quando Liliana perdeu a sua irmã gémea. O seu mundo ficou virado do avesso, e tudo o que acontece de seguida vai sendo revelado ao longo da história: as suas tristezas, frustrações, reacções e o apoio dos amigos e da família. No entanto, como em todas as boas histórias, esta vai sofrer uma reviravolta. Alguém irá aparecer e muitos segredos irão ser desvendados.

Opinião

Este livro foi uma oferta da Papiro Editora na sequência de um passatempo, a quem desde já agradeço o apoio editorial tão precioso que tem dado ao Prazer da Leitura.
Não posso deixar de admirar o trabalho realizado por Marta Carvalho, que com apenas 15 anos, publicou com muito mérito esta fantástica obra.
Marta conta-nos a história de Liliana, que após a perda drástica da sua irmã gémea, retoma a muito custo a sua vida normal. Normal, no sentido de hábitos diários, porque psicologicamente persistia o vazio causado pela saudade.
Desde cedo esta narrativa prendeu-me a atenção, as revelações surpreendentes e os acontecimentos inesperados, tornando-a cativante.
Um aspecto que achei muito interessante, foi a forma que a Marta utilizou para descrever e apresentar a Vila de Óbidos. Uma descrição elaborada de forma muito dinâmica, utilizando de forma inteligente os diálogos das personagens presentes. Sinto-me bastante envergonhada de o admitir, mas uma vila que me é tão próxima e familiar, só agora me dei conta que sei tão pouco da sua história.
Tive pena que o desenrolar desta narrativa se desse de forma tão rápida, o seu corpo está bem organizado e o conteúdo muito interessante, no entanto senti que alguns pontos podiam ter sido mais desenvolvidos.
A escrita é fluida e muito acessível, sem dúvida que a idade da Marta em muito influencia estas características. Para mim é um ponto positivo. Estas características contribuíram para que a leitura fosse agradável e ligeira, apesar de a considerar muito dinâmica.
Eu gostei bastante. E vocês?