quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O CÉU EXISTE MESMO – Todd Burpo e Lynn Vincent

Sinopse

Colton Burpo tinha quatro anos quando foi operado de urgência. Meses mais tarde, começou a falar daquelas breves horas em que esteve entre a vida e a morte, e da sua extraordinária visita ao céu. O seu relato só agora foi revelado pelos pais. E tornou-se num fenómeno editorial sem precedentes.

Foi em 2003 que o pequeno Colton, sentado na sua cadeirinha no banco de trás do carro, começou a falar sobre os anjos que o tinham visitado durante a operação à apendicite aguda... O pai, sacerdote, nem queria acreditar. Estacionou, respirou fundo, e fez algumas perguntas ao filho. E o miúdo respondeu, sem dar muita importância ao assunto. Falou do que viu, dos seus encontros com Deus e com Jesus, das visões que teve durante a cirurgia, da mãe e do pai a rezarem enquanto ele era operado. Foi apenas o início. Colton tinha de facto visitado o céu, e trazia consigo uma importante mensagem para partilhar.

Opinião

No meu quarto, em cima da minha mesa de cabeceira, encontra-se uma fotografia do meu avô, falecido em Dezembro do ano passado. Por ser um triste acontecimento tão presente ainda, é inevitável o meu filho de três anos não me questionar da ausência do seu bisavô, pelo que respondo sempre que se encontra no céu.

É uma resposta tão vaga não é??

É difícil explicar a uma criança de três anos, o significado da morte, para onde vão todos aqueles que partem e nos deixam uma enorme saudade, até para mim esse tema é difícil. Tenho fé e acredito em Deus, mas as incertezas da vida para além da morte por vezes são uma constante nos meus pensamentos.

Após esta leitura, fiquei mais serena.

Mesmo sabendo que algumas pessoas pensam que este livro é uma farsa, somente com o intuito de ganhar dinheiro abordando um tema tão delicado, eu acredito!!

Apesar de ser o pai, Todd Burpo, a narrar esta história, a inocência do testemunho verdadeiro e sincero de Colton Burpo é perfeitamente transmitida e sentida profundamente por nós leitores.

Uma obra lindíssima para se reflectir e aprender, mas sobretudo sentir. Onde podemos assistir a um dos piores momentos da vida dos pais de Colton, bem como acompanhar a descoberta de que mais do que uma aproximação á morte, Colton tinha vivido uma experiência única que iria marcar a sua vida e a dos pais para sempre.

Um testemunho impressionante!!

Não farei avaliações técnicas a esta obra porque, sendo ela um testemunho, para mim não faz qualquer sentido. Independentemente da forma como é escrita e da forma como está organizada, a mensagem que Colton queria transmitir foi inteiramente recebida.

Recomendo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

OS PÁSSAROS DA MORTE – Mo Hayder

Sinopse

No seu primeiro caso como investigador principal na Brigada Anti-Crime de Londres, o jovem detective Jack Caffery depara-se com um caso de um serial killer em ascenção. A descoberta do corpo de uma jovem mulher numa lixeira próxima do Millennium Dome de Greenwich abre as portas a estes sórdidos crimes. Um a um, são descobertos mais quatro corpos a apenas a alguns passos do primeiro. Cinco cadáveres, todos jovens mulheres brutalmente assassinadas de forma ritualistíca e estranhamente precisa. Para além da autópsia ter revelado que todas as jovens eram prostitutas, e a todas elas tinham sido injectado uma dose letal de heroína, directamente na base do crânio, e após falecimento tinham sido violadas. Como se não bastasse, descobriu-se mais um aspecto, o mais macabro de todos, que indica um único criminoso: na caixa toráxica encontrava-se, no lugar do coração, um pássaro vivo. Usando todas as armas de que a ciência forense dispõe, Caffery e a sua brigada anti-crime travam uma luta contra o tempo, antes que o “Violador do Millennium” ataque de novo...
Opinião
Cada vez que leio um novo policial fico ainda mais surpreendida. De facto, não é qualquer um que escreve um policial, um bom policial. Mo Hayder, não é qualquer um, é uma maestria.
Foram vários os momentos, em que este livro foi referido pelos meus amigos do facebook, o que me despertou uma imensa curiosidade. Quando a Editorial Presença iniciou o passatempo das Marés Vivas, uma das muitas fantásticas iniciativas realizadas, não pensei duas vezes. Venha ele para a minha estante!!
Depois das opiniões e dos comentários que li, tinha uma expectativa tremenda neste livro, mesmo que nunca tivesse lido nenhum livro da autora até á data.
E não é que superou as expectativas!! Pois é…
Qualidades não faltam a esta obra. A que mais se destaca, é ser uma história viciante, não há maneira de largar o livro. Mesmo chegando á página número 200, a vontade de continuar a leitura, é exactamente igual á inicial.
São vários os ingredientes que encontro, para que esta característica tenha esta particularidade, temos a apresentação de uma história inteligente do ponto de vista policial, suspense, mistério, acção e revelações surpreendentes. O que queremos mais de um bom policial?? Nada…
Posso dizer, que é mesmo daqueles policiais, em que se tem de puxar pelos neurónios e mesmo assim é tão bem escrito, que cheguei a meio e nem fazia ideia das surpresas que ainda ia ter. Fantástico!!
O factor menos positivo que encontrei, foi na recta final. Acho que esta autora, utiliza demasiados pormenores de âmbito sexual, demasiado descritos. Pode ser por não estar muito habituada, mas de qualquer das maneias, arrepiou-me. Pensando bem, sendo eu mulher, talvez me impressione mais…
Para quem procura um excelente policial, recomendo. Obrigatório mesmo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

POR ESTE MUNDO ACIMA – Patrícia Reis

Sinopse

Um cenário de terrível desastre assola Lisboa. Poderia ser em qualquer outro lugar do mundo. Os escombros passam a ser paisagem, a cidade e as relações humanas transformam-se vertiginosamente. Entre os sobreviventes há um homem, um velho editor. Procurando amigos e amores desaparecidos encontra um manuscrito e um rapaz e, neles, a porta para uma outra dimensão da vida.

Por Este Mundo Acima é uma peregrinação futurista e um relato de memória. Consagração dessa melhor forma de amor a que chamamos amizade, é também uma história sobre a importância redentora dos livros.

Opinião

Algumas pessoas dizem que é fácil dar opinião dos livros que mais gostamos, eu cá discordo. Para mim, é uma tarefa extremamente difícil. Isto porque, quando se chega ao seu final, as emoções e sentimentos são tantos, que é impossível de os transmitir de forma clara para o papel.

Foi o que aconteceu, após ter lido esta obra. Uma estreia absolutamente espantosa, da escrita de Patrícia Reis.

O que poderei dizer eu, desta obra?

Tem um tema que me cativa em particular, a amizade.

“Quando te vi no hospital, Lourenço, percebi porque é que a amizade é a mais transformadora das forças humanas.”

Acho que, apesar de a escrita ser um acto muito solitário, a amizade foi sem dúvida a alavanca essencial para o lançamento desta obra. Atrevo-me a dizer, que a autora Patrícia Reis acaba por reflectir esse sentimento tão pessoal no decorrer desta narrativa. Só mesmo quem sabe o que realmente é a amizade, sabe transmiti-la desta forma.

“Livros nos quais a amizade predomina, livros luminosos que, não sendo lamechas, nos revelavam a vasta matéria dos sentimentos que definem a condição humana.”

Para além da amizade, existe a esperança e o renascimento. Encontro-os em Eduardo e Pedro, as personagens centrais desta história, eles que são sem dúvida a essência de todos os sentimentos transmitidos.

Tudo começa, como a sinopse refere e bem, com um terrível desastre que assola Lisboa. Eduardo é um dos sobreviventes, é através dele, que vimos o cenário de devastação em que se encontra, após o acidente.

“Não restava nada. Não se via ninguém. Sentei-me, suado, sem saber para onde seguir. Estava convencido de que o nada tomara conta de tudo. Não havia solução. O futuro estava longe, longe de acontecer.”

A consequência deste acidente, está muito para além do que vemos. Eduardo perde todos os seus amigos, aqueles que conhecemos perante os momentos que vai revivendo e é com muita saudade que o faz. Chego mesmo a sentir a sua dor, a dor provocada pela dúvida da sua existência, a procura de um sentido e da esperança.

“Não restam muitas soluções de sobrevivência e não compreendo por que escapei. Sou uma sobra da maldade humana. Sinto essa injustiça.”

Quando encontra Pedro e um manuscrito que lhe tinha sido entregue, tudo muda. É em Pedro que encontra o sentido.

“Depois dos amigos, da vida que tivera, Eduardo centrou tudo nele, o miúdo dos destroços.”

É no manuscrito que descobre a esperança.

“Não é a salvação, o mundo está para lá disso, contudo o meu coração adormecido acordou, acordou da melhor forma. (…)O livro é quase premonitório, fala do futuro e da forma como não seremos capazes de combater um lado mais forte das coisas terríveis. Confesso-te que estou em paz com a ideia de vivermos com essa bipolaridade do bem e do mal, temos dois lados, somos assimétricos: num condensamos o positivo, no outro está o que pior podemos pensar ou fazer.”

Um livro maravilhoso, que mexe com o nosso interior, que desponta até os sentimentos mais recônditos.

De um ponto de vista mais técnico, adorei a organização desta obra. O que mais destaco, são as listas apresentadas durante a narrativa, listas que adjectivos, objectos, etc…Um toque original, que dá uma apresentação única desta história.

Escrito de uma forma simples e genuína, mas extremamente tocante, Patrícia Reis consegue transmite-nos uma mensagem lindíssima. Um livro para mim, marcante e único.

Recomendo.

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- Apresentação de Patrícia Reis

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O DIA QUE FALTAVA – Fabio Volo

Sinopse

Durante cerca de dois meses, Giacomo e Michela encontram-se todos os dias de manhã no eléctrico, a caminho do trabalho. Não se falam, apenas trocam olhares, mas para Giacomo esse momento transforma-se rapidamente no mais importante do dia. Até que uma manhã, sem que nada o previsse, Michela aborda-o e convida-o para tomar café, somente para lhe dizer que vai partir para Nova Iorque e não se vão voltar a ver. Mas quanto tempo resistirá Giacomo a correr atrás de um sonho? Um romance que reflecte sobre os desafios do amor, da amizade e dos sonhos, e que se tornou um bestseller em Itália.
Opinião
Mais uma estreia, mais uma surpresa.
Existe enumeras opiniões positivas dos livros deste autor, portanto foi com uma grande expectativa que iniciei esta leitura.
Chegando ao seu final, só posso concluir uma coisa, adorei!!
Um romance excelente para levar nas férias.
Caracterizo-o de fresco e leve. Fresco, na medida em que expressa um lado muito moderno, leve porque tem uma componente de reflexão suave, misturada com algum humor. Todos estes factores, contribuem sem duvida para o excelente resultado final que nos é apresentado.
Acompanhar o Giacomo nesta viagem, foi fantástico. Tal como a sinopse refere, esta personagem deparasse ao longo da narrativa com vários desafios, de todos, o mais importante sem dúvida foi o do Amor. Um desafio proposto por Michela, ao qual Giacomo decide jogar, não sabendo ao certo as consequências que vai provocar na sua vida.
“Se alguém soubesse o que andamos a fazer durante estes dias, pensaria que teremos de ser internados no serviço de neurologia.”
Mas quem irá ganhar??
“A vida não é o que nos acontece, mas aquilo que fazemos com o que nos acontece…”
Hummm….não vou revelar. Para saber, têm mesmo de o ler. O que não é difícil, com esta escrita tão fluida e simples, lê-se de um só fôlego mesmo. Um momento de leitura bem agradável!!
Agora, desejosa para ler o seu novo livro.
Recomendo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

NUNCA TE ESQUECI – Michael Baron

Sinopse

Hugh Penders viveu num estado de apatia durante quase uma década, desde que o seu irmão Chase morreu num acidente de viação. Transporta no íntimo dois segredos que nunca foi capaz de partilhar com ninguém: acredita que poderia ter sido capaz de evitar o acidente e está profundamente apaixonado por Iris, a namorada de Chase.

Quando o pai de Hugh sofre um grave ataque cardíaco, Hugh tem de regressar à sua casa em Nova Inglaterra, de onde andara a fugir nos últimos dez anos. Um dia, encontra Iris - que se mudara havia muito tempo - na rua. Iniciam uma amizade e Hugh acredita que está a apaixonar-se novamente por ela.

Contudo, o fantasma de Chase paira sobre ambos. E, quando cada um deles revela uma verdade que o outro desconhecia, as suas vidas, a perspectiva que tinham de Chase, e as suas oportunidades de um futuro conjunto mudarão para sempre.

Imbuído da força do desejo e do impacte da perda, Nunca te Esqueci é uma narrativa comovente e romântica que emocionará profundamente o leitor.

Opinião

A editora Quinta Essência, surpreende-me cada vez mais. As obras que tem apresentado até agora, são dotadas não de uma quinta essência, mas de uma essência completamente única. Aquela que nos envolve profundamente e mexe connosco, tal como esta obra.

Li o primeiro livro de Michael Baron, “Ficarei à Tua Espera”. Um livro maravilhoso que me deixou encantada, mas após esta leitura, estou completamente rendida a este autor e á sua escrita.

São enumeras as particularidades que gosto neste autor, o facto de ser homem e escrever histórias de amor desta forma, é uma delas. Mas também me impressiona a forma como as escreveu, atrevo-me a dizer que mostra muito de si, é uma escrita muito pessoal, que tem o dom de nos aproximar e até nos fazer identificar com ela. É uma relação de proximidade única com a história!!

Michael Baron conta-nos a história de Hugh, uma personagem espectacular, sem dúvida a essência e o brilho original desta narrativa. Foi com o seu crescimento interior e a sua afirmação, que aprendi muito ao longo desta narrativa.

A morte repentina do seu irmão Chase foi um marco nesta história, mas o impacto que esta teve na vida de todos e principalmente na de Hugh, teve um peso ainda maior.

“Ouvi dizer que, por vezes, o desgosto serve para unir famílias, mas não tinha essa experiência. Nunca me senti tão desprendido na vida como nos meses que se seguiram ao acidente.”

De qualquer das formas, devido á doença do seu pai, Hugh foi “obrigado” a voltar a um cenário antigo, do qual efectivamente queria fugir. Mas esse cenário é uma mistura do passado com o futuro, porque é nele que residem muitas recordações, mas também é nele que Hugh vai descobrir muitas respostas. Respostas que mudam o rumo da sua vida!!

Principalmente quando encontra Iris, a antiga namorada do seu irmão. É nesta amizade que vai buscar força, mas é nesta amizade que também prevalecem grande parte das memórias do seu irmão.

“Penso nele constantemente, encontro recordações a toda a hora, tenho-o sempre em mente. Raramente me sai da cabeça.”

Qual será o futuro desta relação de amizade? Será impossível??

“Contudo, havíamos desenvolvido um presente tão significativo que o passado se tornara um pouco difuso.”

Não vou desvendar nada a respeito da relação deles, para não quebrar a magia. Só mesmo lendo…

Houve um sentimento que me tocou particularmente, o sentimento de culpa que Hugh carrega dentro de si. É difícil relacionar um acto inesperado, com a imagem de uma pessoa que nos é querida e da qual temos uma imagem perfeita, mas nem tudo o que é parece.

Em termos mais técnicos, trata-se de uma obra muito bem organizada. Dotada de uma escrita simples e fluida, típica deste autor.

Estou ansiosa por ler o seu novo romance, “The Journey Home”.

Recomendo.

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quarta-feira, 13 de julho de 2011

A MANHÃ DO MUNDO – Pedro Guilherme-Moreira

Sinopse

No dia 12 de Setembro de 2001, Ayda encontrou-se com Teresa num café de Allentown e, com o jornal aberto sobre a mesa, foi implacável com os que tinham saltado das Torres Gémeas, chamando-lhes cobardes; mas não disse à amiga que, na verdade, o que sentia era outra coisa, uma grande frustração por o marido e o filho a terem abandonado e rumado a Nova Iorque num momento em que ela se recusava a tomar a medicação e lhes tornava a vida um Inferno - e de não ter coragem de fazer o que esses tinham feito.

Entre os que saltaram, estavam Thea, Millard, Mark, Alice e Solomon - todos personagens fascinantes, com histórias de vida simultaneamente banais e extraordinárias -, que o acaso reuniu no 106.º piso da Torre Norte do World Trade Center naquela fatídica manhã. Se Ayda, por hipótese, conhecesse essas histórias e o drama que eles enfrentaram, decerto não os teria insultado tão levianamente. Mas poderá o destino dar-lhe uma oportunidade de rever a História?

Este é um romance admirável sobre o medo e a coragem, o desespero e a lucidez, a culpa e a expiação; mas é também um livro sobre Einstein e os universos paralelos, sobre o que foi e o que podia não ter sido. No décimo aniversário do 11 de Setembro, a memória não basta, é preciso combater o esquecimento indo para junto dos heróis que viveram o horror e compreender cada um dos seus actos - se necessário, saltar com eles, conhecer aquela que foi a manhã do Mundo.

Opinião

Não me canso de referir que, de cada vez que leio uma obra de um autor nacional, fico cada vez mais impressionada. Esta não foi excepção: estou encantada com esta estreia de Pedro Guilherme-Moreira.

Foi um livro que me despertou desde o inicio muita curiosidade. Por isso, registei-o na minha lista de desejos. Mas a brilhante opinião do blog PlanetaMarcia, destacou-o dos demais e acabei por ficar com uma vontade incontrolável de o adquirir.

Por incrível que pareça, adquiri-o de uma forma muito caricata. Numa das minhas idas à feira das velharias, deparei-me com um exemplar e não pensei duas vezes. Até começar esta leitura, fui perseguida por ele. Tudo o que via na internet tinha directa ou indirectamente a ver com ele. Portanto, tinha mesmo de o ler. Será mágico??

Se é mágico ou não, não sei, mas de uma coisa tenho a certeza: tal como as personagens desta obra, também ele teve direito a uma segunda oportunidade e fico muito feliz que tenha sido eu a escolhida para ditar o seu destino.

Pedro Guilherme-Moreira, apresenta-nos “uma obra de ficção apoiada numa base factual e verdadeira.” Uma autêntica obra de arte, cuja essência se baseia na conjugação da Teoria de Einstein com a fatídica manhã do 11 de Setembro, aquela manhã onde “o mundo assistia incrédulo a um dos piores atentados da sua história”, transmitindo de uma forma brilhante e quase palpável todos os sentimentos e emoções que envolveram este acontecimento marcante.

Sei que alguns, só por causa de este livro abordar o tema do 11 de Setembro, nem se atreveram a dar o beneficio da dúvida. Tenho muita pena que assim seja, pois:

“Ainda hoje meio mundo tenta esconder de outro meio essas centenas de heróis que merecem que a sua história e o sentido dos seus actos sejam contados e objecto de reflexão.”, e o autor Pedro fez desta narrativa uma homenagem mais do que merecida a estes heróis. A todos aqueles que se encontravam dentro do World Trade Center, como também a todos aqueles que a ele se dirigiam no intuito de os salvar. Senti esta profunda homenagem, sobretudo perante todos os que decidiram por fim às suas vidas, saltando das torres. Para mim, que assisti a toda esta tragédia através da televisão e na internet, não passava de uma imagem. Após ter lido esta obra, dei por mim a rever as mesmas fotografias com outros olhos: faltava-me o sentimento, e foi no decorrer desta narrativa que o encontrei…

“Tudo soa a fábula, trilho fantástico de palavras para compor uma declaração de seres superiores soprada ao ouvido dos lamentáveis cépticos. Os que duvidam de que os saltos são feitos de coragem. Os que estão certos de que saltar é desistir. Os que duvidam de que abandonar pode ser um acto nobre. Os que estão certos de que escolher morrer é desrespeitar quem fica.”

A morte…Não é fácil tocar neste tema, mas ele existe. Como existem muitos leitores que preferem outros livros, talvez porque “O homem olha sempre a morte dos outros com receio da sua.”

Quando falamos no 11 de Setembro então, não existe forma de contornar a questão encararmos esta realidade tão dura. Mas Pedro Guilherme-Moreira dá uma perspectiva bem diferente desta realidade: a segunda oportunidade.

“São os mesmos da primeira oportunidade e, contudo, nesta segunda, algo os inscreve de forma distinta nos favos da colmeia humana. (…)Somos gente e, por sermos gente, somos por natureza contraditórios. Se nos ensinaram que o carácter residente não se eclipsa, como podem os heróis de um momento ser os cobardes do seguinte? (…)Nenhum deles tinha tido essa atitude na primeira oportunidade. Vamos ao fundo de nós. A história regista heróis como foram construídos pelo povo. Somos o que somos, ou somos a circunstancia de nós próprios? Somos o que não somos ou somos a circunstancia dos outros?”

Sem dúvida um toque de mestria, que marcou profundamente esta narrativa. É fenomenal poder acompanhar as personagens nestas duas partes distintas. Fica-se com uma noção perfeita das relações humanas existentes e o impacto que elas têm sobre esta história. Fantástico…

De forma mais técnica, o livro está muito bem organizado, escrito de uma forma muito simples, genuína e sentida. Cheguei mesmo a arrepiar-me.

Não posso deixar de focar um toque genial, e ao mesmo tempo subtil, deste autor. Esta história contém muitas personagens. No entanto, soube sempre exactamente quem eram, porque, de uma forma muito graciosa, este autor foi sempre enquadrando cada uma na história.

Desde que comecei com o projecto do Prazer da Leitura, não me lembro de ter tido tanta dificuldade em escrever uma opinião. É difícil exprimir sentimentos…

“Às nove horas em ponto desse dia, ninguém em Nova Iorque sabia que o mundo nunca mais voltaria a ser o mesmo.”



Espaço do Livro

http://amanhadomundo.blogspot.com/

Sobre o autor

Nascido no Porto no Verão de 1969, chegou com 7 anos às mãos da professora Laura sem saber fazer contas de dividir; ela ensinou-o e ele pagou-lhe com uma fábula. Aos 11, entre rapazes de 16 e 17, empatou o primeiro lugar dos jogos florais da escola com um rapaz de 12, hoje um conhecido político. Aos 13, perdeu para o mesmo menino, mas levou o 2.º e o 3.º prémios. Aos 16, ganhou (finalmente sozinho), porque o menino político entrou na Universidade. No ano seguinte entrou ele, na de Coimbra, e andou com Torga no trólei 3, mas nunca se falaram. Profissionalmente, foi dos primeiros advogados a ganhar o Prémio Lopes Cardoso, com um artigo publicado, primeiro, na prestigiada Revista da Ordem dos Advogados e, depois, em livro. Aos 25, decidiu publicar apenas aos 40, porque queria saber, e escrever, mais. A Manhã do Mundo aparece a meio do seu «dia», sendo o primeiro romance que publica.

Espaços do Autor

http://ignorancia.blogspot.com/

http://www.facebook.com/pguilhermemoreira

terça-feira, 5 de julho de 2011

ESTARÁS SEMPRE COMIGO – Anna McPartlin

Sinopse

Emma tem vinte e seis anos - bonita, inteligente, feliz e vive com o namorado de infância, John, num agradável apartamento em Dublin. O seu maior problema é a mãe não parar de insistir para que se casem já. Emma e John sentem-se o casal perfeito, com um futuro cheio de possibilidades. Mas, de repente, John morre num terrível acidente, e Emma mergulha no desespero. Amava-o mais do que à própria vida - e agora a morte tirou-lho.

À medida que emerge da dor, Emma tem de encontrar uma nova forma de viver, e os amigos leais unem-se para tentar ajudar. Clodagh, amiga de sempre de Emma, com quem ela partilhou tudo, desde bolos de lama a namoros desastrosos. Anne e Richard, mais ou menos bem casados e a debaterem uma mudança para o campo. O irmão de Emma, Noel, o jovem padre católico que vê a sua própria fé testada enquanto tenta confortar Emma. Seán, o belo mau rapaz das mil e uma namoradas, desconfortavelmente ciente da sua crescente ligação a Emma.

De forma espirituosa, mordaz e, às vezes simplesmente chocante, Emma documenta as histórias dos amigos e a sua própria recuperação da dor com uma franqueza que envolve o leitor desde a primeira página.

Opinião

Este livro era extremamente desejado, e foi com alguma sorte, que o ganhei numa das muitas iniciativas que a Quinta Essência realizou para os seus leitores.

Á Quinta Essência, um muito obrigada!!

Nunca tinha lido um livro que em tão poucas páginas, expressasse tantas emoções. A fazer esta opinião á flor da pele, é impossível nomear todas elas, mas posso dizer que com ele chorei, sofri, ri e sonhei.

O tema por ele explorado é para mim demasiado familiar, por isso foi de uma forma completamente incondicional que acabei por tanto me identificar com esta.

“A dor torna-nos quem somos, ensina-nos e doma-nos, pode destruir e pode salvar.”

Por ter esta vertente tão particular, acompanhei de perto a Emma num caminho que tanto me foi comum e desejei alcançar o maravilhoso desfecho da sua história. Um desfecho surpreendente que me deixou á beira das lágrimas. Porque, para além do contacto com uma realidade tão dura que é a morte, temos o prazer de presenciar o milagre da vida.

Achei fantástico, como esta autora nos apresenta um tema tão sensível, de forma tão profunda, mas igualmente divertida. É notório o positivismo transmitido, que reflecte sem dúvida a atitude que esta autora teve de adoptar perante a sua própria experiencia, para conseguir alcançar a “capacidade de sobrevivência necessária para superar os desgostos da vida.”

Perante uma história tão brilhante, custa-me referir pormenores mais técnicos, pois são neste caso totalmente secundários. Mesmo assim, abstraindo-me do transe que me encontrei no decorrer desta leitura, posso indicar que a escrita é fluida e que a estrutura desta obra está muito bem organizada.

Recomendo vivamente!!

terça-feira, 28 de junho de 2011

AMOR ESQUECIDO – Isaac Barradas

Sinopse

Após dois anos a esconder um amor incondicional por Marta, Sam pensa em revelar à melhor amiga aquilo que sente, mas as dúvidas começam a surgir-lhe à medida que entra em algo novo na sua vida.

Ao longo de toda a história, esse amor mostra-se mais forte, mas algo irá acontecer.

É num registo fluido e em mensagem ficcionada que Isaac Barradas escreve para aqueles que mais o compreenderão: trata-se de um livro de e para adolescentes, em jeito de homenagem a uma das fases mais intensas da vida, esse futuro pretérito imperfeito que jamais será esquecido.

Opinião

Este livro foi oferecido pela Papiro Editora, que mais uma vez apoiou o Prazer da Leitura na continuação do trabalho desenvolvido na divulgação de livros e mais em concreto, autores nacionais.

Este livro de Isaac Barradas, foi uma agradável surpresa para mim.

Tal como no livro “Reflexo Perdido” de Marta Carvalho, esta narrativa contém um toque suave de imaturidade na escrita que me seduz bastante, uma escrita simples e fluida. Esta característica contrasta grandemente, com a maturidade com que o tema é abordado. Um tema que me sensibilizou bastante, sobretudo da forma como foi trabalhado nesta narrativa, através das personagens de Marta e Samuel. É um pequeno livro em páginas, com um enorme conteúdo, sobre o amor incondicional.

Este livro fez-me reflectir, mas mais importante que isso, fez-me ver o quanto tenho desperdiçado o pouco tempo que tenho com os que mais amo, com banalidades que não chegam a ter um peso determinante na minha felicidade.

Tenho de elogiar e dar os meus parabéns ao autor do prefácio deste livro, é desse prefácio que tirei esta frase que tanto me marcou e reflecte muito bem a essência desta obra:

«(…)Amar é dar, não é receber, que para amar é preciso ser-se tolerante e paciente e que amar e ser amado incondicionalmente é o mais nobre dos sentimentos.»

O final tocou-me particularmente, cheguei mesmo a ficar com a lágrima no canto do olho. A forma como foi descrito e seu desfecho emocionou-me.

Espero que Isaac Barradas, continue o seu percurso literário, a oferecer-nos tão boa literatura.

Recomendo!

Sobre o autor

Aos dezoito anos, é aluno no curso científico humanístico de artes visuais na escola Secundária de José Afonso, Loures.

Nasceu aos seis meses de gestação e hoje ambiciona ser um bom escritor. Viveu a sua infância com os pais irmãos e avós, e esteve sempre rodeado de pessoas que lhe deram a melhor educação possível. Desde cedo desenvolveu o gosto pela leitura e aos dezasseis anos descobriu o prazer da escrita.

É fã da escrita de Nicholas Sparks, Lisa Jane smith, José Rodrigues dos Santos e tantos cujos nomes tem na sua prateleira.

No final do décimo segundo ano pretende entrar para a Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, e continuar a escrever, pois esta uma actividade que se tornou, para si, essencial. Amor Esquecido é o seu primeiro livro publicado, agora, sob a chancela da Papiro Editora.

Espaços do autor

Blog: http://coachingforlife-smile.blogspot.com/

Página do Facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100001849896946&sk=info



A AMEAÇA – Ken Follett

Sinopse

Unanimemente considerado um dos mestres actuais do policial, Ken Follett tem a capacidade única de, a cada novo romance, reinventar o próprio thriller. Em A Ameaça, um poderoso agente antiviral desaparece misteriosamente das instalações da Oxenford Medical, uma empresa farmacêutica que está a desenvolver um antivírus para uma das mais perigosas variedades do Ébola. Quem o poderá ter roubado? E com que obscuras intenções? Toni Gallo, responsável pela segurança da empresa, está profundamente consciente da terrível ameaça que o seu desaparecimento pode significar. Mas o que Toni, Stanley Oxenford, o director da empresa, e a própria polícia vão encontrar pela frente é um pesadelo capaz de ultrapassar os seus piores receios… Traições, violência, heroísmo e paixão num thriller absolutamente brilhante.


Opinião

Nunca tinha lido nada deste autor, mas sem dúvida, que não poderia ter começado da melhor forma. Este livro é espectacular.

Uma das coisas que a capa refere, é que esta leitura é:

«Uma leitura que se começa e não se consegue interromper.»

De facto, esta expressão não poderia descrever de forma mais clara, o que realmente aconteceu durante a minha leitura. Não só não a consegui interromper, como esta obra ficou literalmente colada ás minhas mãos, não fosse Ken Follett «o mestre do thriller moderno».

Só mesmo um «mestre» como este, tem o poder de escrever de uma forma tal, que nos transporta no decorrer da leitura, para uma autêntica sala de cinema. Foi mesmo essa a sensação, que estava a ver um filme, de tão realista que a esta escrita se tornou. Tive direito a arrepios, medo, sustos, só não tive direito a pipocas!!

A história em si, não poderia ser mais fascinante. Atrevo-me a dizer que a sinopse nos dá uma pequenina ideia, do quanto impressionante se torna esta narrativa. Também não se pode desvendar tudo não é??

Nem eu o vou fazer…acho que a sinopse descreve muito bem a essência do conteúdo desta obra e não vou ser eu a estragar o mistério e a curiosidade, que ela nos deixa após a sua leitura.

De forma mais técnica, o livro está muitíssimo bem organizado, acho até que esta característica, acaba por “ajudar” no impacto que esta narrativa tem durante a sua leitura. É seu dúvida a organização, que dá uma dinâmica diferente e surpreendente á narrativa.

Recomendo e bem!!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

VIVER SEM TI – Jorge Bucay e Silvia Salinas

Sinopse

Irene é uma prestigiada terapeuta de casais que dedicou toda a sua carreira a investigar os mecanismos do amor e a ajudar os seus pacientes a recuperar a autoconfiança após uma separação. A sua vida familiar e pessoal, aparentemente organizada e tranquila, vê-se virada do avesso no dia em que (ignorando o sábio conselho da sua avó Justina, que dizia «quem busca o que não deve, encontra o que não quer») descobre, no bolso do casaco do seu marido Luís, a factura de um quarto de hotel em que ele esteve… com outra mulher. A partir desse momento, Irene inicia um processo que tantas vezes ajudou os seus pacientes a encetar: o da separação, da aceitação de que a sua relação com Luís chegou ao fim. Prepara-se então para partir em busca de um novo amor, um caminho que a leva à autodescoberta e ao reconhecimento do seu poder de escolha. Com inteligência, sabedoria e muito sentido de humor, os autores do best-seller internacional Amar de Olhos Abertos apresentam ao longo destas páginas a chave para escutar o coração e descobrir a autenticidade nas relações amorosas.
Opinião
Ganhei este livro num passatempo realizado pelo Grupo da Porto Editora, na altura da 81ª Feira do Livro de Lisboa.
Até á data, não tinha lido nada destes autores e pouco ou nada conhecia das suas obras, portanto foi uma estreia absoluta.
De um modo geral gostei desta leitura!!
Achei muito interessante este romance, não fosse Irene uma terapeuta de casais, que sofre repentinamente uma traição do seu marido Luís. Sendo ela terapeuta, como irá lidar com esta situação?
Este é um caminho que ela percorre e que podemos acompanhar no decorrer desta narrativa, um “caminho de busca interior” e pura reflexão. Uma intensa reflexão sobre relações humanas, mas sobretudo do verdadeiro sentimento que é o amor. Uma reflexão por vezes um pouco “pesada” em alguns momentos, mas mais dinâmica e até divertida noutros.
O que mais me tocou nesta história de Irene, foi sem dúvida ter contacto com algumas afirmações que demonstram claramente o quanto um casamento pode ser frágil, mas principalmente, as consequências que um desgosto de amor pode ter sobre as pessoas.
De forma mais técnica, a escrita é simples e o livro encontra-se muito bem organizado. Nas partes onde a reflexão é mais intensa, a escrita não é tão fluida, no entanto lê-se bem.
Recomendo.

O RAPAZ QUE QUERIA FAZER O MELHOR BOLO DE CHOCOLATE DO MUNDO – Maria Margarida Mendes

Sinopse

Agostín era um miúdo de dez anos e origem humilde. Certa noite, um sonho muda radicalmente a sua vida. Esta é uma história que estimula os sentidos e nos ensina que sonhar é um ingrediente indispensável. Se adicionarmos ao que sonhamos uma pitada de amor, amizade e sinceridade podemos tornar a nossa vida tão doce como o «melhor bolo de chocolate do mundo».
Opinião
Este livro foi oferecido pela Papiro Editora, que mais uma vez apoiou o Prazer da Leitura na continuação do trabalho desenvolvido na divulgação de livros e mais em concreto, autores nacionais.
Adorei este livro, pode ser juvenil/infantil, mas contem uma mensagem muito bonita.
Agostín é um menino corajoso, é preciso mesmo o ser para realizar os sonhos, acho que sem dúvida este é o ingrediente essencial para a receita da felicidade. Mas não só, como a sinopse refere, amor, amizade e sinceridade, também o são. Enfrentar a família e os amigos, não é tarefa fácil, mas a sinceridade é o melhor caminho. Será que o Agostín vai seguir esse caminho?
O melhor é ler!!
Sei que o livro é pequeno, mas só o consegui largar quando cheguei ao sei final. Claro que a escrita fluida e simples, ajudou muito, mas a história e a sua essência prende ainda mais.
Recomendo!!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

ALÇAPÃO – João Leal

Sinopse

Quando Rodrigo chega a S. João, percebe que vai ter de crescer depressa se quiser sobreviver ao violento código que rege a vida dos órfãos. A aparição de um novo e pouco ortodoxo padre traz-lhe uma visão de esperança que promete mudar tudo. Mas uma maldição familiar emerge do passado. Uma série de assassínios brutais vai arrastá-lo, a ele e a Jorge, o seu único amigo, para um lugar sobrenatural escondido atrás de um misterioso alçapão. Há séculos à deriva, os habitantes de Lothar, a ilha flutuante, pensam que são os únicos sobreviventes do Grande Dilúvio. No centro da ilha, numa árvore gigantesca, vive um anjo caído que é o seu deus. Um acontecimento, contudo, vai agitar o quotidiano e levar a que dois deles decidam partir.

João Leal, nesta sua homenagem plena de imaginação às histórias de aventuras, faz com que as duas narrativas, tão distantes no tempo, se encontrem num momento decisivo para a história da humanidade.



 


Opinião

Quando vi este livro pela primeira vez, sabia que o tinha de comprar. Foi por diversos motivos que o fiz, entre eles: a sinopse e a capa, mas sobretudo por se tratar de um autor português. Uma iniciativa maravilhosa da Quetzal, na descoberta e afirmação novos autores nacionais.

Desde já quero pedir desculpa ao autor João Leal, pela a minha humilde opinião e consequente avaliação, perante um trabalho de uma mestria inigualável. Atrevo-me a dizer que não sou a pessoa indicada, para dar o valor merecido a esta obra.

Neste livro, deparamo-nos com duas narrativas distintas e bem distantes no tempo, mas que se encontram

“(…) num momento decisivo para a história da humanidade.”

a construção da Torre de Babel.

Na primeira parte, João Leal presenteia-nos com a história de Rodrigo e Jorge, um thriller policial recheado de mistérios, suspense e sangue. O percurso destes dois “amigos” é impressionante, perante as dificuldades de viver no orfanato de S. João e sem dúvida, a existência de um passado tão trágico, que marca profundamente as suas vidas. É nesta parte da narrativa que podemos descobrir o mistério do famoso Alçapão e também a função determinante para a humanidade, que os ligará á restante narrativa.

Na restante narrativa, conhecemos a história da ilha de Lothar, supostamente

“os únicos sobreviventes do Grande Dilúvio.”

é nesta narrativa que acompanhamos Ezequiel e Enos numa tremenda aventura, que de pista a pista nos encaminhará até ao tão aguardado final, ao encontro das duas narrativas.

O encontro das duas narrativas, é elaborado de uma forma muito inteligente e bastante astuta, o que nada me surpreendeu, perante a exposição espantosa de conhecimentos que este autor demonstrou no decorrer das narrativas.

De forma mais técnica, achei a escrita muito fluida e muito simples. Esta obra está organizada de forma impressionante, que só demonstra o trabalho espantoso deste autor.

É impossível para mim, descrever de forma precisa todo o conteúdo desta obra, não por não o saber fazer, mas por haver uma sequencia muito própria no desenvolvimento destas narrativas. È uma obra para se ler com calma, saboreando-se, mas que o contributo da acção faz com que se leia num sopro.

Tinha muitas expectativas nesta leitura e sem dúvida que foi uma leitura fantástica. João Leal está de parabéns!!

Espero ansiosa por novidades…

Sobre o autor

João Leal nasceu em Lisboa em 1973.

Estudou Teologia, curso que deixou incompleto.

É livreiro desde 1997. Entre 2003 e 2005 manteve o blog Bicho Escala Estantes.

É casado, tem duas filhas e mora na vila de Sintra.

Alçapão é o seu primeiro romance.

O seu espaço

terça-feira, 14 de junho de 2011

DE UMA SÓ SORTE - Tiago Gonçalves

Sinopse

Presa num mundo sem profundidade, a visão de Manuela não alcançava para além do seu campo. Isolada do seu pensamento e ambição, a sua vida poderia resumir a um eterno movimento circular, constantemente voltando ao ponto de partida, quando parecia estar prestes a escalar as paredes que restringiam a sua vida.

Sem ambição que gerasse qualquer opção, a vida era simples e resumida, não fossem os acontecimentos do seu mundo serem bem maiores do que o espaço ao qual se restringia. Espaço e mundo no qual ninguém queria entrar.

Esta obra abre, para si, as portas deste mundo.

Opinião

Este livro foi uma surpresa principalmente pelo tema que é abordado no mesmo e pelo meio onde é descrita a acção. Não se pode considerar um romance puro, aliás, parece-me tudo menos um romance, é sim a descrição da vida de uma mulher simples, do mundo rural, que em toda a sua vida não foi muito bafejada pela sorte.

O autor, apesar das constantes alterações no tempo ao longo da narração, conta-nos a história de Manuela e do seu triste fado de mulher do campo, o seu casamento, os seus filhos, etc. O autor extrapola algumas vezes deste pequeno mundo rural para com o resto da sociedade, e deixa a entender (aos mais sensíveis e perpicazes) algumas analogias de como seriam certas situações na vida de uma outra pessoa com outra vida que não a desta simples camponesa.

O livro é organizado em capítulos bastante pequenos de escrita rápida e simples. A leitura é feita de forma bastante intuitiva e a linguagem é de bastante fácil entendimento. Na minha opinião, peca apenas por não esclarecer algumas questões relacionadas com o destino de algumas personagens, mas penso que o objectivo deste livro é passar uma mensagem especifica e não propriamente de contar a história da vida de alguém.

Parabéns ao autor por ter escolhido esta realidade tão poucas vezes usadas pelos seus colegas e nela ter conseguido encaixar uma análise de alguns conceitos que passam em vão ao lado da sociedade em geral.

Sobre o Autor

Nascido a 3 de Junho de 1986, Tiago Gonçalves sempre teve como berço a cidade do Porto. Nasceu, cresceu no Porto, numa rua histórica, que o ajudaria na sua educação humilde e simples, mas sempre de horizontes abertos para outras realidades. O gosto pela literatura vêm desde a sua infância, crescendo progressivamente à medida que os anos avançavam.

Licenciando-se em Sociologia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o seu sentido critico e analítico é sinonimo de uma constante evolução ao longo de toda a sua vida, até ao ponto de chegada. A instrução académica seria o complemento para a sua própria aprendizagem, curiosidade e constante vontade de conhecer, aprender e pensar. Em Novembro de 2010, lançou o seu primeiro livro, um conto, intitulado "De Uma Só Sorte" pela editora Edita-me. O segundo livro, uma novela, tem lançamento previsto para o último terço de 2011.

Os seus Espaços

         

sexta-feira, 10 de junho de 2011

VOZES SILENCIOSAS – Torey Hayden

Sinopse

Torey Hayden é sobretudo conhecida por sustentar o argumento dos seus livros em casos verídicos, num registo de não-ficção que desafia os leitores a mergulharem num universo real. Em Vozes Silenciosas, a autora americana traz-nos um romance, o seu primeiro publicado em Portugal, sobre uma família disfuncional, uma criança diagnosticada como autista e os esforços de um psiquiatra para os ajudar. Quando Conor, de nove anos, chega ao consultório do pedopsiquiatra James Innes, traz já com ele o diagnóstico de autismo. Conor não estabelece contacto visual e filtra o que o rodeia através de um gato de brinquedo, repetindo a frase «o gato sabe». Mundialmente conhecida pelos seus bestsellersbaseados nas suas experiências profissionais, Torey Hayden apresenta agora um romance inesquecível sobre o que acontece quando a realidade e a imaginação se confundem.

Opinião

Desde já quero agradecer ao blog Clorofórmio do Espírito e á Editorial Presença, por esta oferta maravilhosa.

Ter ganho este livro no passatempo realizado no blog Clorofórmio do Espírito, possibilitou uma estreia com esta autora. De facto no meu percurso literário, nunca me cruzei com nenhum dos seus livros, mas depois desta leitura não ficarei certamente só por esta experiencia.

Durante uma semana fiquei completamente absorvida e envolvida nesta narrativa, repleta de muitos segredos e mistérios.

Inicialmente, pensava que a história se centrava somente em Conor, a criança aparentemente com autismo, a que a sinopse se refere. Contudo, por detrás desta criança, existe uma família que em muito contribuiu para que o seu destino assim fosse traçado. Principalmente a mãe, cuja imaginação ou não, me cativou por completo no decorrer desta narrativa. As suas histórias e testemunhos enriquecem este livro, são eles que sem dúvida contribuem para que se torne uma obra única e original. É uma personagem fundamental, mesmo no que refere ao final, que para mim foi surpreendente. Por mais que puxasse pela cabeça, não iria acertar num final assim tão intenso.

Em termos mais técnicos, acho que a obra está muito bem organizada, a escrita não poderia ser mais simples e fluida.

Recomendo sem dúvida.


sexta-feira, 3 de junho de 2011

LONGE DO MEU CORAÇÃO – Júlio Magalhães

Sinopse

Joaquim não queria acreditar no que os seus olhos viam. Tinha saído a salto de Portugal, viajado apertado em camionetas de gado, andado quilómetros e quilómetros a pé, à chuva e à neve, quase tinha perdido a vida nos Pirenéus e agora estava ali. Na capital portuguesa em França. O sítio onde, todos lhe garantiam, podia enriquecer e concretizar os seus sonhos. Mas o que via era um bairro de lata. Sentia os pés enterrarem-se na lama. Olhava para as barracas miseráveis e para os fardos de palha que faziam as vezes de uma cama. Mas, Joaquim não estava disposto a baixar os braços. Em Longe do meu Coração retrata com mestria e realismo, o quotidiano dos portugueses que partiram em busca de uma vida melhor, sonhando um dia regressar ricos à terra que os viu partir pobres. Para Joaquim, Portugal estava longe. Era ali, em França, na terra que lhe dava de comer, que queria vingar, que prometia, à força do seu trabalho, derrubar fronteiras e preconceitos. O plano estava traçado. Iria abrir uma empresa de construção, com o seu amigo Albano, enriquecer e, depois de ter casa montada com carro com emblema no capô, estacionado à porta, iria pedir a mão da sua Françoise, a professora de Francês que lhe abriu o mundo das letras e do amor. Mas, cedo Joaquim vai descobrir que há barreiras difíceis de ultrapassar.

Opinião
Depois da minha má experiência com um dos livros da Fátima Lopes, foi a medo que peguei num novo livro escrito por uma figura pública.

A facilidade de edição e o impacto social que as obras escritas por estas figuras públicas têm, fazem-me duvidar das suas capacidades para a escrita. Foi exactamente isso que me aconteceu, na leitura de “Amar Depois de Amar-te”.

O que é certo, é que fiquei impressionada com este autor. Com a sua cultura, com a sua dedicação neste trabalho de pesquisa, baseado em testemunhos, inclusive fotográficos, que não só inspiraram como enriqueceram esta obra.

Explorando um tema marcante da história nacional…

“(…) um tema fundamental que, acredito, marcou o século, a cultura e o nosso povo para sempre: a emigração para França nos anos 60.”

,que pouco ou nenhum conhecimento tinha, e que tanto fiquei a conhecer.

Neste livro, Júlio Magalhães conta a história de Joaquim, um dos

“(…) milhares que saltaram a fronteira rumo a um futuro melhor. Para fugir a uma guerra colonial, sempre presente numa determinada geração de portugueses. À procura de trabalho, de comida, de uma oportunidade, de realizar um sonho numa terra distante, longe de Portugal.”

Uma história muito tocante e cheia de coragem, de um Homem que lutou pelo seu futuro longe da sua terra, ultrapassando obstáculos extremamente duros, perigosos e até fatais para alguns. Um puro instinto de sobrevivência, face ás dificuldades que se faziam sentir nessa época, sobretudo para ajudar a sua família.

Ao ler a descrição que este autor fez do país naquela época, provocou em mim uma sensação de déja vu, tal eram as semelhanças em relação ao estado actual.

Bem, passando á frente, senão tenho pano para mangas!!

Em relação á escrita é muito simples e fluida, lê-se extremamente bem. Posso dizer mesmo que li o livro num ápice. Sem dúvida que a história em si ajudou, mas a organização da narrativa e a escrita deste autor, tiveram um papel importante.

Conclusão, fiquei fã e já coloquei os seus dois primeiros livros na minha lista de desejos. Próximas compras: “Os Retornados” e “Um Amor em Tempos de Guerra”.

Recomendo.